Clarisse um belo dia, chegou em casa desolada, alias a melhor palavra era desesperada. O que fazer quando se passa o dia todo procurando algo, e não sabe onde deixou? Era um incomodo só, ela procurou em todos os lugares que tinha passado naquele dia: Foi até a faculdade, perguntou ao porteiro, e ele com uma cara estranha simplesmente disse que não tinha visto nada parecido por perto.

Depois foi até a padaria, seu Manoel disse que se ela quisesse um sonho até tinha, mas aquilo que ela estava procurando talvez fosse achar na igreja. Verdade, Clarisse tinha ido à igreja naquele dia, para aliviar os pensamentos, mas o Padre Guilherme também não soube informar: “Clarisse, reze! Deus irá te ajudar a encontrar tenho certeza!”.

Até que se lembrou que tinha dado uma passada na casa de sua irmã, para brincar um pouco com os sobrinhos, a irmã não estava mais apenas à babá, então perguntou para os meninos: “Tia, aqui nos nossos coisas do Ben 10 não está”.

O desespero a tomava, em casa perguntou a empregada Lucia se ela tinha visto algo do tipo perdido pela casa: “Querida, aqui você não deixou nada do tipo, porque não faz promessa para São Longuinho? Ele sempre me ajuda quando perco algo!”.

Então Clarisse fez:

– São Longuinho, São Longuinho, se o senhor ajudar eu achar, eu dou 10… não, 20, não, não 1000 pulinhos, isso mesmo! É uma grande proposta a se analisar.

Sua mãe Beatriz tinha chego ao quarto bem na hora da promessa.

– Clarisse, é isto que está procurando? – disse levantando uma pulseira de prata com um pingente de elefante, a preferida de Clarisse – quantas vezes tenho que dizer para não deixar suas coisas jogadas no banheiro…

– Não mãe – disse Clarisse sentando na cama, as lágrimas começando a cair – estou procurando o amor que perdi.

– Querida, como assim?

– Pelo Pedro mãe, eu perdi o amor por ele, eu não sei como aconteceu, acho que foi hoje ou ontem, foi tão de repente…

– Clarisse, você estava tão apaixonada…

– Eu sei mãe, eu vou achar de volta, é que hoje quando o vi… Sabe, eu gosto dele, é um ótimo amigo, mas percebi que eu perdi o amor, tenho que achar mãe.

– Filha, eu sei onde você perdeu…

Clarisse limpou as lágrimas, sorrindo.

– Ai mãe então me ajuda, onde está?

– Você não perdeu de uma vez só querida, você perdeu aos poucos… Lembra como era apaixonada por ele? Antes de começarem a namorar, o achava perfeito, em todos os aspectos, e no primeiro dia que ele te chamou para sair, ficou vibrante, só não contava que ele fosse levar você para ver o jogo de futebol com os amigos, naquele dia o encanto foi um pouco embora, mas o amor ainda estava lá.

“Lembra quando vocês estavam a cinco meses namorando, e você me contou que ele tinha te levado para conhecer a família, você disse que ficou um pouco assustada como ele gritava com os pais e dizia palavras horríveis para eles? Lá se foi um pouco do amor.

Também lembro quando vocês fizeram um ano de namoro, e ele disse que não se ligava a datas desse tipo, e que era melhor você não esperar nada em especial, ele não era romântico e era melhor você se acostumar, mas ele não levou em consideração que você era romântica, lá se foi a segunda parte.

Ah, teve aquela vez que você chegou em casa chorando, porque disse que viu o Pedro conversando de um jeito estranho com sua amiga Ângela. Lá se perderam duas partes do amor.

Semana passada você me contou que ele maltratou um animal de rua, e que acabaram brigando feio por isso. Mais um pedaço deixado lá. Diga-me Clarisse, ontem o que aconteceu?”

Clarisse com os olhos assustados e arregalados, porém ainda molhados, disse aos soluços:

– Me disse que achava que eu estava muito magra, sem corpo, que não era mais tão bonita como antes…

– Clarisse meus parabéns, você não só perdeu o amor pelo Pedro, mas encontrou o seu amor próprio.

Clarisse abraçou sua mãe e apenas sorrindo disse:

– Ai mãe, me ajuda agora a pagar os 1.000 pulinhos?

ilustracao-para-materia-de-comportamento-sobre-machismo-1357679608860_615x300

 

Ana Flávia tem 27 anos, ela é jovem sociável e adora fazer novas amizades, trabalha com moda e gosta de ler.

Ana se considerava liberal, sem preconceitos, ela tinha amigos gays, alternativos e de várias etnias, tinha orgulho de defender os direitos desses amigos, reclamava no facebook, no twitter, e ainda participava de protestos nas ruas.

Ela adorava fazer discursos onde trabalhava sobre o assunto. Realmente uma lutadora contra o preconceito. Bem, isso era o que ela achava.

No trabalho ela via sempre seu chefe pedir para as colegas fazerem o café, nunca para os homens. Ana mesmo às vezes fazia, ela não gostava, mas queria agradar ao chefe. Na hora do almoço se reunia com suas colegas, o tipo de conversa geralmente era o mesmo: as outras colegas de trabalho.

– Como ela tem coragem de usar aquela saia?

– Fiquei sabendo que conseguiu uma promoção… Eu também conseguiria, se todo o dia fosse de carona com o chefe.

Ana às vezes até gostava de uma roupa ou outra daquelas garotas, mas e se fosse julgada igualmente?

Como ela morava sozinha e tinha uma vida um pouco agitada, precisava uma vez por semana de faxineira, ela recorria a uma empresa especializada em diaristas, já que gostava tudo como a lei manda, todas tinham que ser registradas regularmente.

Certo dia a Dona Claudia não pode ir, a empresa mando o Seu Jorge. Ana ficou surpresa, mas não disse nada. Naquela tarde ligou para a empresa e pediu que só enviassem mulheres a partir daquele dia, como podia ter um homem desconhecido limpando sua casa, mexendo em sua roupa.

O mesmo ocorria com sua costureira, e sua manicure, era simples, alguns trabalhos são para mulheres e outros para homens.

Ana Flávia nunca levou seu carro em um mecânico mulher, e preferia ser atendida por médicos homens. Ela não fazia nada disso por mau, na maioria dos casos nem percebia, mas, Ana era uma machista.

Um dia, até disseram isso para ela:

– Eu machista? Jamais, eu nem sou homem!

– Ana, mulheres também são machistas!

Ana não é a única, censurar outras mulheres por sua postura ou roupas, acreditar que é necessário outra pessoa em sua vida para você ter plena felicidade, criticar mulheres mais velhas e solteiras, chamar outras mulheres de mau-amadas ou educar diferentemente meninos de meninas, muitas mulheres não percebem afinal são séculos de opressão, mas tudo isso contribui para o fortalecimento do machismo.

O importante não é realizar criticar fortes, ou discussões ofensivas com mulheres ou homens como Ana Flávia e sim apenas conversar e informar sobre a questão.

Tem dúvida se suas atitudes são machistas ou não? Pesquise! Não há vergonha alguma em querer mais conhecimento sobre o assunto! :)

 

Primeiro eu queria agradecer muito mesmo a linda da Gabizola e a fofa da Laylinha por terem segurado o blog tão bem!

Depois gostaria de agradecer vocês visitantes! Todos vocês 5! rsrs

Prometo, prometido que dessa vez irei postar com mais periodicidade :)

Estava com saudade de escrever, acabei me empolgando um pouco, a história é longa por isso já prepara a poltrona e o café, espero que gostem!

 

 

Capitulo I

O Amigo das 21h e o Amigo de Cabelo Espetado

 

Cansaço era a minha palavra de definição naquele dia. Depois de um dia cheio de papeis para assinar, cheio de orçamentos para realizar e com mais telefones para atender do que ouvidos, nem acreditei quando entrei no metro às 20h e tinha um lugar vago, aquele acento virou meu guarda sol em Copacabana.

Quando cheguei Raio de Sol já estava sentado na porta, realmente acho que ele tem um sexto sentido canino, às vezes também imagino que tem um superpoder e é capaz de prever o futuro, mas, lembro que demoro cerca de 10 minutos para achar as chaves de casa na bolsa, tempo suficiente para ele ouvir o barulho dos 5 chaveiros que tenho.

– Ei garoto! O que fez de bom hoje? Muitos filmes ruins na TV? Cadê sua irmã favorita?

Raio de Sol, me olhou, por um momento pensei que ele tivesse entendido, se afastou até a janela onde estava Chuva de Inverno (É, eu sei, gosto de natureza), mas logo depois percebi que na verdade ele foi apenas pegar sua bola de mastigar.

– Chuva de inverno, o que esta olhando ai? Vigiando os vizinhos novamente?

Chuva de inverno me olhou felinamente maldosa, odiava aquele olhar, ela sempre me fazia sentir como se fosse uma idiota…

Me encostei na janela, junto com minha gatinha diabólica. Lá estava eu, morando na cidade grande, em um pequeno, porém meu, apartamento, em um emprego razoável para a minha pouca idade, porém, pequeno para meus sonhos.

Uma luz no apartamento da frente acendeu.

– Lá esta ele Chuva de Inverno, nosso ‘Amigo das 21h’.

Meu vizinho sempre chegava 6 minutos depois de mim, colocava as chaves na mezinha de entrada, pegava uma latinha de Coca na geladeira, e ligava na TV para a novela das 21h que por sorte nossa começava às 21:30h.

Hoje era quarta dia de futebol, então dia do “Amigo de Cabelo Espetado” ir para a casa dele, às 21:47h ele chegou, com o tradicional fardinho de cerveja.

Depois disso eu não via mais nada de sua rotina “tão” interessante quanto a minha, por mais que eles fossem bonitinho, não valia meu tempo, quando se tem 6 horas diárias para dormir, tempo é muito importante.

Já ia partir para meu segundo expediente, responder os e-mail’s dos clientes. “Mas ainda não esta pronto?”, “Não tive resposta sobre o reajuste da bancada da cozinha”.

– Quer saber, hoje não Chuva de Inverno!

Peguei meu livro que estava na página 30 a algum tempo, me posicionei na minha poltrona de leitura perto da minha gatinha demoníaca, (minha casa não tinha um sofá, somente um sofá cama, mas quem precisa de sofá quando se tem uma poltrona de leitura?!) me recostei, algum tempo depois acordei com Chuva de Inverno arranhando a página 32 do livro.

– Não, 32 é meu número da sorte.

Olhei pela janela, o jogo não devia ter sido muito bom, nosso Amigo das 21h, estava dormido segurando sua Coca, e o Amigo de Cabelo Espetado olhava para ele fixamente, tão fixamente!

De repente ele se aproximou, passou a mão sobre o rosto do Amigo das 21h, eu me endireitei na poltrona.

E foi ai que tudo aconteceu, o Amigo de Cabelo Espetado se aproximou perigosamente mais, fechou os olhos, estava preste a beijar o Amigo das 21h.

– Você esta vendo isso Chuva de Inverno?

Chuva de inverno ainda arranhava meu livro.

O Amigo das 21h acordou, bem na hora, ele levou um susto daqueles, com o rosto do outro cara bem perto dele, pulou do sofá com tanta rapidez que o Amigo de Cabelo Espetado não teve tempo de reagir.

Eles começaram a brigar, o Amigo das 21h, jogou a Coca no chão, dava para fazer leitura labial tranquilamente: “Você tá louco?”.

O AdCE, fazia gestos de desculpas, ele sentou novamente no sofá passou a mão pelo rosto e pelo cabelo, parecia estar chorando, com muita rapidez ele abriu a última gaveta de uma escrivaninha, tirou umas revistas de dentro e jogou no sofá.

– Porque não tenho um binoculo agora?! Porque?!

O Amigo das 21h começou a andar de um lado para o outro, com a mão no pescoço.

Ele parou, pegou o AdCE pelo braço, o levou até a porta, jogou para fora, como se ele fosse um cachorro de rua, deu um baque na porta que pode ser ouvido até do meu apartamento.

Todas a luzes foram apagadas e o Amigo das 21h foi para o quarto.

Fiquei ainda olhando para o apartamento escuro por um tempo, tentando entender tudo o que tinha acontecido. Fazia 9 messes que morava naquele bairro, durante todo esse tempo a rotina dos meus vizinhos foi sempre a mesma, como a minha também.

No outro dia me pegava pensando se meu Amigo das 21h tinha telefonado para pedir desculpas, eu teria, afinal foi tudo um engano, talvez um impulso de paixão. Já levei foras e me lembro como fiquei me sentindo um lixo depois, fico imaginando se tivesse sido expulsa da casa do garoto, estaria me sentindo a filha da mosca do cocô do cavalo do bandido.

Cheguei em casa e nem dei ‘Oi’ para o Raio de Sol, fui correndo para a janela.

– Vamos, sei que você vai aparecer, apareça com ele por favor.

Ninguém apareceu às 21h, nem às 21:30h, e pela primeira vez vi o Amigo das 21h chegar às 22h, com uma garrafa na mão e não era de Coca, ele demorou para fechar a porta pois não achava a chave que estava ainda na fechadura, depois sentou no sofá e desmaio de bêbado.

– Aham! Bêbado Sr. Amigo das 21h? Isso quer dizer que você se sentiu afetado pelo o que aconteceu!

No outro dia, fiz a mesma coisa, cheguei e fui direto para a janela sem nem ligar a TV dessa vez. O Amigo das 21h já estava entrando no apartamento, segurando um buque de flores, fechou a porta, leu o cartão que estava nas rosas, colocou o cartão de volta nas flores e jogou tudo no lixo mais próximo da sala.

Alguns minutos depois alguém bateu na porta dele. Era uma mulher com um vestido do qual eu tinha blusas maiores. Ele deu um beijo no rosto dela, ficaram um tempo na sala.

– Hunf! Canalha!

Fui terminar o trabalho, pois não era obrigada a ver tudo aquilo.

No outro dia quando cheguei do serviço não tinha mais esperanças quanto ao Amigo das 21h, passei pela janela e todas as luzes estavam apagadas, tomei um café e fui direto ao trabalho. Depois que terminei tudo, 4 horas mais tarde dei mais uma olhada pela janela, parece que o Amigo das 21h não tinha voltado para casa naquele dia.

Na quinta cheguei em casa e fui direto organizar minha mala para o final de semana com um bônus de um pequeno feriado na segunda. Voltaria para a minha cidade, gostava de lá principalmente dos meus amigos, gosto de São Paulo mas não posso dizer que tenho o mesmo número de amizades que o da minha cidade Natal, alias, em São Paulo em 9 messes eu ainda não consegui fazer nenhuma amizade.

Não que eu seja alguma anti-social mas entenda minha realidade: Me mudei para São Paulo assim que me formei para trabalho em um escritório de arquitetura de uma amiga da minha mãe. Os únicos funcionários do escritório são, a dona: Tia Luciana que passa mais tempo na Europa gastando o dinheiro que ganho para ela, e seu filho Samuel de 41 anos, solteirão, que por mais que me convide geralmente 5 vezes por semana para sair, ainda prefiro limpar a caixinha de área da Chuva de Inverno com minha escova de dente.

Meu expediente normal é das 7h às 17h, porém como o filho da Tia Luciana passa mais tempo paquerando as clientes solteiras e ricas, obviamente sobra para a minha pessoa elaborar os projetos, verificar orçamentos, verificar papelada de prefeitura, e por assim vai.

Resumindo costumo sair do escritório às 19:30h por sorte ele fica próximo ao metro assim não faço nem 15 minutos de caminhada.

Então resumindo minha triste vida: o mais próximo que eu tenho contato com outras pessoas fora do meu serviço é no metro, alias uma vez fiquei conversando com uma moça que estava fazendo faculdade de arquitetura também, foi muito legal nossa conversa, porém nunca mais a vi, pensei que algo de muito grave pudesse ter acontecido, tipo ela comprar um carro.

Depois dessa moça do metro, acho que o mais perto que chego de uma amizade é com o porteiro do meu prédio às vezes fico conversando com ele uns 10min antes de trabalhar, já sei que o Alfredo filho dele vai prestar vestibular no final do ano, e de tanto eu falar como amava arquitetura ele conseguiu convencer o filho prestar para 3 faculdades de arquitetura. Adoro manipular a vida das pessoas!

Quando fui buscar o secador no banheiro percebi que as luzes do apartamento do Amigo das 21h estavam acesas. Ele tinha chegado algum tempo e eu não tinha percebido, estava com uma caixa em cima da mesinha de centro, e olhava a caixa como se ela fosse uma pessoa.

Ele a abriu e tirou um objeto enrolado em um saco plástico que parecia de presente mas estava muito amassado, não dava para ver direito o objeto, mas aquela silhueta, o plástico todo enrolado, eu poderia estar enganada mas aquilo parecia muito uma arma e das grandes!

– Ai meu Deus!

Ele estava começando a desembrulhar a arma, mas a campainha tocou, ele rapidamente voltou a embrulha-la, guardou dentro da caixa e colocou-a debaixo da escrivaninha de centro.

Foi até a porta, e para meu inicio de infarto ser perfeito quem apareceu foi o Amigo de Cabelo Espetado.

Eles apertaram as mãos, o Amigo das 21h fez sinal para o AdCE entrar.

– Ai meu Deus! Ele vai matar o Amigo de Cabelo Espetado!

Peguei o celular, tinha que ligar para a polícia, mas como sempre estava sem área alguma.

– Muito clichê!

Não sabia o que fazer, então fiz a última coisa que deveria, desci correndo as escadas do corredor, meu elevador estava sempre quebrado, para minha sorte ou não eram apenas 4 lances. Atravessei a rua sem olhar para os lados, só quando estava já no outro lado da calçada percebi que estava chovendo. Havia uma senhora com umas compras prestes a entrar no prédio do Amigos das 21h, não sei se foi destino aquela senhora ou se foi mesmo muita coincidência:

– A senhora quer ajuda?

– Sim por favor querida, você mora aqui?

– Sim, sou namorada do Guto do 308.

Guto, meu primeiro namorado de ensino médio.

– Ah sim, bom rapaz!

Achei meio estranho na hora, mas estava com muita pressa para entender certas coincidências do destino.

Entrei depressa junto com as sacolas e a senhora, o porteiro me olhou muito desconfiado.

– Boa noite!

– Boa noite!

Pegamos o elevador. Qual será o andar deles, se eu consigo ver eles quase na mesma altura da minha janela então deve ser o mesmo andar que o meu, 4°, por favor, que vocês estejam no 4°, que nada de ruim tenha acontecido.

Paramos no 3°, me despedi da senhora entregando as compras na porta de seu apartamento.

– Até mais querida, mande um abraço para o Guto e para a mãe dele a dona Larissa.

– Ok, pode deixar.

Apartei o 4, e o tempo para chegar no andar de cima parecia o mesmo que se estivesse indo para o 23°.

O elevador abriu, havia quatro portas, qual escolher. E foi ai que caiu a ficha, o que eu estava fazendo lá, poderia ter um cara armado atrás de alguma dessas portas, e eu com meu 1,62m o que faria, com uma chave na mão, desarmada?

Um barulho que parecia muito de um tiro saio do apartamento 87, não sabia o que fazer, bati na porta desesperadamente.

O Amigo das 21h abriu a porta

– Hãm… Oi?

– Cadê ele seu assassino? Eu vi tudo! Canalha! Você acha que é assim que as coisas de resolvem?

Literalmente invadi a casa, sem nem pensar, sem nem ser convidada, ainda com o celular na mão.

– Onde você colocou o corpo? Ondeeeee??? Não quero saber vou ligar agora para polícia.

– Acho uma boa ideia! Do que você esta falando?

– Do quê?? Seu sínico eu moro ali do lado eu vi tudo, via seu amigo toda quarta vendo futebol com você, até que um dia, um dia tudo mudou certo? Me diz como você teve coragem, sabe o que muitas mulheres dariam para ter um cara romântico, e que goste de você como o Amigo de Cabelo Espetado? Sabe o que eu daria? Não, você não sabe, você simplesmente desprezou ele, e hoje covidou ele para vir aqui, em uma armadilha horrível e cruel…

Ele me olhou fixamente, e com um movimento brusco fechou a porta.

– Porque esta fazendo isso?

– Por que você esta gritando?! Não quero que meus vizinhos pensem que tem alguma louca no meu apartamento, por mais que isso seja a verdade.

– Olha não quero saber, vou ligar agora para a poli…

O Amigo de Cabelo Espetado entrou na sala, ele estava no quarto, todo esse tempo.

– David, eu tentei achar alguma coisa nas coisas do seu irmão mas nada me serve, acho que aquelas cervejas realmente me deram essa barriga de gelatina, vou ficar com a camiseta manchada mesmo, será que é verdade a história de que vinho man… Quem é ela?

– Eu não sei. Mas é uma boa pergunta querido. Qual é seu nome louca do lado?

Não conseguia acreditar lá estava ele, sã e salvo na minha frente com uma camiseta machada de vinho. E percebi tudo na hora, eu só precisava, desde o início, ter olhado tudo melhor.

A caixa que eu pensei que tinha uma arma estava aberta, tinha uma rosa junto, e do lado uma garrafa de frisante, provavelmente o barulho de tiro devia ter sido o barulho de uma simples rolha.

Eu estava tão chocada e envergonhada que sentei no braço do sofá, coloquei as mãos no rosto e comecei a chorar.

 

………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………….

Capitulo II

Julia, David e Pedro

 

 

– Meu nome é Julia… ai meu Deus, me desculpem… realmente, eu, eu…

O choro começou a ficar descontrolado, eu não estava segurando, não sabia porque, talvez fosse a TPM, tinha que começar um tratamento urgente, se a TPM esta me fazendo invadir a casa das pessoas e acusá-las de assassinado é porque um médico deveria ser consultado.

– É que eu via vocês toda quarta-feira… e pensei que tudo isso, de vocês brigarem e acabar a amizade e tudo mais não era justo…

O silencio predominou, eu levantei para ir embora ainda com as mãos no rosto de vergonha.

Estava indo direção a porta até que senti alguém puxando meu braço.

– Espera ai, espera ai, se você acha que vai sair assim do mesmo jeito que entrou esta muito enganada. Senta ai! – Disse David. David era um nome bonito para o Amigo das 21h.

– Olha me desculpa mesmo…

– Querida, senta vai, você não está em condições…

– Agora você esta com piedade da louca? Sua cara Pedro!

– David! Não seja mau educado!

– Não… – soluço- briguem… por favor…

Me sentei, não tinha muito o que perder aquela altura provavelmente David ia chamar a polícia para mim, que inversão de jogo! Mundo seu cretino, de heroína a vilã.

– Tá bem desculpe! Olha só Julia, tá tudo bem ok, eu não sou assassino, não matei o Pedro, e acabei descobrindo que também gostava mais dele do que como amigo. Ele veio aqui hoje justamente para… comemorarmos tudo isso.

Eles trocaram sorrisos, lindos sorrisos.

– Viu querida, esta tudo bem, pode parar de chorar, que tristeza ver uma mulher tão bonita chorando.

Soei o nariz no pano que estava enrolado antes no vinho\arma.

– Você acha mesmo que sou bonita?

– Bem… depois disso fica um pouco difícil… Mas sim!

Rimos todos.

– Sabe, eu mudei a pouco tempo para São Paulo, e não tenho ninguém, não tenho amigos, vizinhos, conhecidos se quer, então acho que… Meio que vocês eram o mais próximo que eu tinha de amizades. Me desculpem ok, eu já estou melhor e a chuva estava passado, vou indo, e novamente me desculpem… não chamem a polícia por favor…

– Esta tudo bem, vamos esquecer tudo isso – disse David levantado. Ele foi até a porta comigo, me despedi com um pequeno aceno acanhado.

– Tchau Pedro, me desculpa tá.

– Esta tudo bem Julia, boa sorte, continue vigiando o David para mim ok?

– Pode deixar…

David fechou a porta, chamei o elevador… térreo, vamos logo, quero sumir desse lugar o mais rápido possível. Ouvi ainda alguns murmúrios dentro do apartamento de David, malditas paredes sem isolamento.

– Tem certeza, ela me parece bem louca, nem a conhecemos…

– Olha só, você lembra quando chegou? E como deu graças a Deus de me conhecer no Pub? Disse que estava mesmo precisando de um amigo se não ia enlouquecer aqui… ela esta enlouquecendo!

– Espera ai Pedro… Pedro!

A porta abriu novamente, primeiro andar, maldito elevador, amaldiçoo você e toda a sua família de elevadores!

– Julia, nesse feriado, vamos para Paraty, a mãe do David tem um apartamento lá, e dizem que vai fazer um calor… Bem, que tal vir conosco?

– Ai Pedro, é muito legal da sua parte, principalmente depois que eu invadi o apartamento de vocês e acusei seu namorado de assassino, mas não posso mesmo aceitar – apartei o botão mais forte, quem era a bruxa de Salém que estava segurando o elevador no primeiro andar! Piedade: era tudo que eu precisava.

– Ei vamos, vai ser legal, não somos assassinos, achei você louca claro, mas já conheci piores!

– Olha, não preciso de pena ok, eu posso me virar sozinha, não sou nenhuma maluca… Por mais que seja difícil de acreditar.

– Nós sabemos – disse David saindo de trás da porta, parecia ainda meio em dúvida em relação a suas palavras – não é pena, gostamos de você, e sei bem o que é me sentir assim…

Terceiro andar e o silêncio.

– Olha, vou te passar meu celular, me manda por mensagem o endereço e quem sabe eu apareço no sábado.

E não é que eu apareci?! Não acreditei, estava com as malas no carro pronta para ir para Minas, e simplesmente me peguei revendo a mensagem do David, eles tinham me mandado dois minutos depois que cheguei no meu apartamento. Estava no carro, e pensei: Porque não?

Porque eu mal conheço eles! Mas que se foda tudo!

Fui para Paraty, achei o apartamento fácil, Pedro me recebeu com um sorriso de orelha a orelha, David estava mais contido, acho que ele ainda não tinha me perdoado totalmente, mas nada que um final de semana com emenda de feriado não mudasse rapidinho o seu conceito sobre minha pessoa.

Eu fiquei no quarto dos fundos, que era maior que quase meu apartamento todo. Conversamos muito mesmo, assistimos filmes, rimos, eu chorei, Pedro também quando contou sobre o falecimento de seu pai. David me contou que desde que quando percebeu que era gay, nada melhorou, surgiram muitas dúvidas.

– É duro para um garoto de 13 anos, achar as meninas bonitas mas não sentir vontade igual os outros meninos de beija-las, eu pensei que tinha problemas, meu pai era muito rígido, lembro que na época meu irmão caçula tinha ganhado uma camisa rosa da minha madrinha Paola, ele queimou ela, disse que rosa não era cor de homem. Assim eu resolvi que não seria gay, como se fosse simples… Me mudei para São Paulo a 5 anos, quando terminei a faculdade, terminei com a minha namorada de faculdade, sabe, me arrependo de ter tirado dela esses 3 anos. Três longos anos que ela poderia ter realmente vivido um amor de verdade, mas ela superou rápido casando no ano seguinte com nosso professor de física. E as coisas não ficaram mais fácil, dois messes depois que me mudei para São Paulo conheci o Pedro – eles trocaram os olhares apaixonados novamente – e um mês depois já sabia que o que sentia por ele não era somente uma amizade boba… Mas estava decido a nunca demonstrar isso, estava tudo certo… até naquela noite, que você viu tudo de camarote.

– Vocês são o casal perfeito, um dia quero ser a madrinha de vocês!

Saímos quase toda noite, em uma delas conheci um cara, acabei dando uns beijos, ele pegou meu telefone, mas não me ligou.

Naquela noite também conheci a Carol e a Dani, amigas dos meninos, elas eram bem diferentes de mim, e muito parecidas entre si, as duas faziam medicina, as duas nunca trabalharam de verdade, e as duas falavam…

– Tipo, acho muito vacilo ele não ter te ligado – disse Dani no domingo na praia.

– Ah, não me importo tanto, não era ninguém especial.

– Nossa, você é tipo desapegada… Sua fofa. – Disse Carol passando mais bronzeador nos braços.

Elas, apesar de tudo, eram… Tipo divertidas.

Fomos embora na segunda a noite, pegando o tradicional transito noturno. A partir daquele final de semana tudo mudou, nos três, David, Pedro e eu nos tornamos amigos e me tornei amiga dos amigos deles, e de repende não estava mais tão sozinha na grande São Paulo.

Quatro messes após a suspeita de assassinato, David me ligou e pediu que eu saísse do serviço e fosse direto para o seu apartamento, o assunto era muito sério.

Fui direto, o porteiro ainda me olhava com cara suspeita, acho que ele estava começando a suspeitar que eu não era namorada do Guto, e que na verdade não existia nenhum Guto naquele prédio.

– Entra Ju – David estava com uma cara séria.

– O que foi? Cadê o Pedro?

– Ele não esta. –David nunca foi de enrolar muito, então foi direto ao ponto- Ju, eu queria que você projetasse uma casa.

– Ok, sem problemas, eu vou falar com a minha chefe amanha e…

– Ju, não, eu quero que você sozinha projete a nossa casa! Você acha que não consegue?

– Eu? Sozinha? Sem passar pela empresa, tipo um freela?

– Nossa demorou em querida!

– Puxa, vai ser demais! Mas, que casa? Seus pais vão se mudar de Floripa?

– Não. A minha e a do Pedro.

– Vocês vão se mudar? Por Que? – Do mesmo momento que fiquei extasiada por fazer um projeto sozinha, pela primeira vez, a tristeza chegou logo depois: os meninos iam se mudar.

– Estava pensando, aqui é bem longe do meu serviço, e do Pedro também, por isso que ele não fica tanto aqui. Eu mesmo só tinha ficado aqui até então porque o apartamento é da minha família assim não pago aluguel, mas sabe, acho que já esta na hora de achar algo para mim e para o Pedro, só nosso sabe, principalmente depois de hoje anoite…

– O que tem hoje anoite?

Ele abriu um sorriso.

– Vou pedir ele em casamento.

Chorei, como sempre, como se não houvesse amanhã, sem novidades.

– Meus Deus, vou ficar triste de não ter vocês aqui do lado, mas, sério essas lagrimas são de pura alegria…

 

……………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

Capitulo III

O Casamento

 

O casamento foi maravilhoso, à beira da praia, uma cerimônia linda, um Sol que favorecia cada palavra dita pelo celebrador. Eu fui umas das madrinhas, Carol e Dani também entraram com seus respectivos “homens-anabolizantes”.

Eu entrei com o Arthur. Arthur era o irmão mais novo de David, tinha 13 anos, lembrei dele da história de David sobre a camiseta rosa, pensei que se agora Arthur tinha 13, quantos anos ele tinha na época e a conta não bateu.

Logo atrás veio a mãe e o pai de David! Neste momento minha maquiagem que demorei três horas para fazer se desmanchou em dois minutos. David me contou a conversa toda com seus pais, e que para sua surpresa, ele ouviu a seguinte frase do pai: “Filho, eu mudei muito também depois que sua vó faleceu no ano passado, percebi que você só vive realmente se for atrás do que te faz feliz! Se o Pedro te faz feliz, nós ficamos felizes.”

Arthur tirou um lencinho do bolso e me deu. Que garoto fofo, daqui a uns 7 anos se ele estiver solteiro (eu estarei!) me candidato à vaga de pretendente.

Logo depois dos pais de David, vi a mãe do Pedro, ela estava linda e seu acompanhante mais lindo ainda. O mais engraçado é que achava aquele acompanhante muito parecido com o David, acho que por andar demais com os dois estava começando a achar que todos os homens do mundo se pareciam com eles.

Durante a cerimônia não consegui desviar o olhar do namorado da mãe do Pedro. Ele realmente era muito lindo, cabelo preto, covinhas nas bochechas, ele tinha uma pequena mancha provavelmente de nascença próximo a testa, como eu queria ser aquela mancha!

Dançamos! E como dançamos! Foi desde anos 80, até ‘Show das Poderosas’. A festa parecia que não tinha fim, a comida também não, e eu parecia que não tinha fundo! Comi, bebi, me diverti como nunca, próximo às quatro da manhã só ficou a família na festa, e eu! O DJ resolveu colocar uma música lenta, acho que era para tentar espantar o resto dos convidados.

Eu conversava com o David e o Pedro.

– Gente está tudo maravilho!

– Igual a casa que você fez para nós! – Disse Pedro.

– Vocês gostaram?

– Tá de brincadeira? Aliás a minha mãe quer contratar seus serviços, ela está querendo reformar nossa casa.

– Sem problemas, aliás que lindo esse namorado dela!

– Namorado?

– É, aquele ali que tá sentado com a mãe do David agora.

David e Pedro riram.

– Julia, sua imaginação não para né?! Ju, aquele ali é meu irmão, lembra que falei dele no último final de semana? Que ele ia voltar da Inglaterra, não estava mais aguentando ficar longe de casa?

– Mas peraí, eu pensei que esse fosse o Arthur!

– Querida! Vamos ligar os pontinhos, você acha que meus pais iam mandar o Arthur para a Inglaterra sozinho? Para ficar dois anos? Aquele ali, é meu irmão mais novo, apenas dois anos por favor, ele estava morando na Inglaterra por causa do trabalho, mas acabou que conseguiu uma transferência de volta para casa. Vem cá!

Ele pegou minha mão, e me arrastou até a mesa de seus pais.

– Olá pessoal. Quero que conheçam formalmente uma pessoa: Mãe, pai e Daniel, esta é a Julia, a mulher mais encantadora que conheço depois da senhora claro mãe.

– Encantadora mesmo! – Disse Daniel.

Minhas bochechas ficaram vermelhas.

– Ei Daniel, porque não meche esse quadril duro e vai dançar com a Julia.

Olhei desesperada para David, eu não sabia dançar musica lenta, aliás nunca soube danças nenhuma música, só ficava igual louca imitando alguém!

– Com prazer irmãozinho, não se esqueça que quadris duros são de família! Me dá a honra Julia?

Daniel estendeu a mão, e eu senti meu rosto queimar ainda mais.

– C… Claro.

Começamos a dançar, ele com suas mãos grandes nas minhas costas, estava torcendo para que o vestido ainda estivesse segurando as gordurinhas a mais.

– Então, você mora em São Paulo?

– É, faz pouco tempo, agora já me adaptei.

– Eu sei bem como é, estou voltando para casa, ainda não sei ao certo para onde vou. Mas é bom já estar em casa. Brasil sei lá, é como minha Hogwarts!

Eu ri!

– Você é fã de Harry Potter também?

– Não… só tenho todos os livros, DVD, camisetas, e uma réplica da Varinha das Varinhas.

– Gosto do Harry, mas nada supera Senhor dos Anéis, desculpa…

– Ah fala sério, agora vai dizer que o Dobby é uma imitação do Smeagol.

– Bem, eles tem bastante características, seguir o protagonista, as orelhas pontudas, os olhos…

David e Pedro nos observavam de longe:

– Do que será que eles estão conversando?

– Provavelmente de coisas românticas e tudo mais, aquela melação toda.

Depois do debate sobre os livros partimos para qual era a melhor adaptação para o cinema. Começamos pelo elenco, depois fomos para os diretores, mas quando chegamos nos escritores paramos a discussão, estava começando a ficar sério demais.

Naquela noite fomos embora junto com o David e o Pedro. Os últimos a saírem, ajudamos eles com os presentes. Apesar de ser uma longa viagem de volta a São Paulo, Daniel insistiu e me deixou em casa.

– Gostei muito de te conhecer Julia.

– Eu também! Tirando seu gosto para livros…

Ele sorriu, que sorriso!

– Acha que eu mereço seu telefone mesmo assim?

Não precisei pensar:

– Claro.

…………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………………

 

Capitulo IV

32 é meu número da sorte!

 

Mas Daniel não me ligou naquela semana, nem nos outros dias. Na quarta era dia de futebol, fui na casa dos meninos, perguntei para o David sobre o Daniel:

– Olha Julia, meu irmão não é muito de brincar com as mulheres, por mais que se ele quisesse poderia, afinal beleza é nosso carma, mas ele sempre foi meio caretão. Deve estar meio atrapalhado com o serviço, estavam querendo levar ele para o nordeste, por mais que ele adore o nordeste, queria ficar mais próximo de nós.

Quando David me contou sobre a possível mudança de Daniel todas as minhas esperanças morreram.

No final de semana fui para Minas, estava morrendo de saudades do pão de queijo da minha mãe, ficamos assistindo filme o dia inteiro, contei para ela sobre o emprego, e que estava começando uns projetos individuais.

– Filha sempre achei uma péssima ideia você trabalhar com a Luciana, ela é minha amiga, amo ela, mas ela é muito chata!

Na segunda voltei logo pela manhã e fui direito ao serviço. Anoite quando cheguei em casa desmanchei a mala, sentei na minha poltrona de leitura.

– Vamos dar uma segunda chance e ver o que você tem de tão especial Harry Potter!

Simplesmente devorei “A Pedra Filosofal”, da primeira vez que li não parecia tão bom. Estava já buscando na internet onde comprar “A câmara secreta”, até que me peguei olhando pela janela. Lá estava o apartamento do David, ainda mobiliado, tudo apagado, vazia, o mesmo vazio que eu sentia às vezes, estava feliz pelos meninos, mas sentia muita falta de não poder ir até lá, e comer a comida toda deles.

Levei um susto quando a luz do apartamento acendeu, alguém estava entrando, um ladrão, certeza!

– Mas que ladrão lindo!

Não acreditei nos meus olhos, era o Daniel, lindo como sempre, talvez tenha ido pegar as últimas coisas do David, mas logo em seguida ele entrou com mais três malas. O que será que ele estava fazendo lá… será que… não é possível.

Daniel deixou as malas no quarto, fez um café. Parou em frente à janela da sala, me olhou, levantou a xícara e sorriu, terminou o café, pegou as chaves do apartamento e saiu.

Não é possível ele deve ter apenas vindo passar um tempo.

O interfone tocou.

– Alô?

– Senhora, o Da…

– O David?

– Isso, está aqui na porta.

– Pode deixar, por favor.

David, tinha que vir em casa mesmo, preciso de muitas explicações. Como assim o irmão dele vem passar férias aqui do meu lado e ele nem me avisa?

A campainha tocou.

– David é bom que você tenha trazido algo para comer porque…

Abri a porta e meu queixo bateu no chão e voltou.

– Daniel…

– Oi! Olha muita gente me confundi com meu irmão, mas o seu porteiro foi o mais extremo até hoje.

– É… tudo bem?

– Tudo sim, sabe o que acontece, eu acabei de me mudar para São Paulo, nunca tinha morado aqui e percebi que não conheço ninguém, acho que vou ficar louco!

Eu ri, meu coração estava disparado, como aquelas covinhas no final do sorriso podiam ser tão bonitas?

– Não é fácil, daqui a 2 anos faço 30, mais um pouco chego no número 32, confesso que pensei que ia demorar mais para chegar nessa idade.

– Que engraçado, 32 é meu número da sorte!

– Bem, só queria conhecer a nova vizinhança, fiquei sabendo que tenho uma vizinha que é um pouco bisbilhoteira, então queria convidar ela para ir lá em casa tomar alguma coisa, assim ela poderia saber mais da minha vida.

Meu rosto queimava eu não conseguia parar de sorrir. Ele se aproximou passou a mão sobre meus cabelos, não me movi, não sabia o que fazer.

Os lábios de Daniel pareciam nuvens, suas covinhas o céu, nunca tinha sido beijada daquele jeito, era como se não estivesse naquele corpo. Perdi o tempo de quanto tempo ficamos naquele beijo, depois que ele se afastou eu ainda fiquei com os olhos fechados, não queria abrir, e se estivesse sonhando.

– Ou talvez, ela não precisaria espionar tanto… se fizesse parte da minha vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nas duas últimas semanas eu fiquei enrolada e acabei não escrevendo, mas hoje estou aqui para me despedir oficialmente do blog, primeiramente gostaria de agradecer a Amanda, de todo o meu coração, por ter me dado a oportunidade de escrever aqui, de sentir como que é colocar em palavras o que eu estava analisando do mundo, foi incrível e eu aprendi muito com a experiência. Espero que tenham gostado, que tenha acrescentado alguma coisa na vida de vocês e que se algum dia quiserem vir conversar comigo a respeito de intercâmbio, aprender novos idiomas, os lugares que conheci, eu responderei com o maior prazer e tentarei convencê-los de que é uma experiência incrivel de ser vivida.

Muito obrigada mais uma vez, foi uma honra fazer parte da vida de vocês semanalmente, nem que fosse por pouquinho tempo. Segue meu email para quando quiserem conversar, gabi_cj@hotmail.com .

 

Com carinho, Gabi Joaquim

Olá,
A sumida, de vez em quando, aparece…
Como disse quando me apresentei, acho que disse, não lembro, memória ruim, não sei o que acontece comigo, não consigo manter uma rotina para conseguir escrever assiduamente em um blog. Devo ter algum problema! Ainda bem que agora temos a linda da Gabriela, chick,que esta na Europa e esta mantendo o blog atualizado.
Hoje, por milagre, resolvi postar uma sugestão de leitura, espero que gostem:

Hoje vim indicar um livro de design; “Objetos de Desejos” de Adrian Forty , publicado pela, linda, maravilhosa, editora CosacNaify.

objetos_b_gde

Livro, que possuo em minha pequenina biblioteca particular, que foi comprado, com desconto, quando fui a um congresso em Curitiba/ PR ( Ndesign 2010) *-* e saudade!!! Eita frio!!!

O livro, apesar de ser voltado para designers, se comunica e interage muito bem com pessoas que não são da área… Ele retrata e analisa os produtos e o consumo em relação à sociedade. O que particularmente acho muito interessante. Sendo um livro de design, relações humanas ( antropológico) e consumo. Apresenta em cada capitulo uma época, os produtos mais populares e o que estava acontecendo no mercado e na sociedade para que, tal produto, tenha sido valorizado ou criado.

Abrange desde tecidos, estampas, a produtos como batedeira, geladeiras… Vasos, cerâmicas, carros…Sinopse disponível no site de vendas da editora:

” Nesta análise radical sobre o design e seu lugar na sociedade, Adrian Forty inaugurou um modelo teórico para o estudo do objeto industrial. Para ele, o design é usado pelas sociedades para expressar seus valores, e suas normas são estabelecidas por condições econômicas e sociais. Objetos de desejo examina a aparência dos bens de consumo nos duzentos anos seguintes à introdução da produção mecanizada, com exemplos que vão de canivetes a computadores, de máquinas de costura a vagões de metrô. Mais que uma leitura essencial para as pessoas envolvidas com design, este é um documento revelador sobre nossa sociedade. Além da introdução inédita do autor para a edição brasileira, o livro traz um projeto gráfico onde o leitor pode montar sua própria capa: acompanha cada exemplar uma cartela de adesivos onde os objetos mais desejados podem ser destacados e colados na capa do livro.”

Falando da capa:
Essa capa é um show, a capa das novas edições é do tipo “Faça você mesma”, adorei… Ela só vem com o fundo colorido em tons de azul e laranja e os “objetos”, nome do livro, autor, editora e imagens são adesivos que você mesmo cola na capa, o que torna cada livro único. Você monta da maneira que achar melhor…

5949582g1
Adoro livros interativos…

Olha ai a foto da capa do meu livro como ficou:

DSCN4925

 

 

Algumas imagens da parte interna do livro para vocês:

 

DSCN4926 DSCN4927

 

DSCN4928
Espero que tenham gostado!!!
Se alguém já leu e quiser falar algo mais do livro, ou se interessou, deixe um comentário!

 

Beijos,

Layla Martins

image

Eu gosto da lembrança de ter embarcado sozinha e ter aterrizado no meio do mar, em um pais que eu não conhecia e onde eu poderia descobrir novos lugares e pessoas, eu me lembro que mal desarrumei a mala e já sai encantada com o meu novo lar e pude ver o quão privilegiada eu estava sendo por ter a oportunidade de ter um lugar para ser exatamente o que eu gostaria de ser, mas ainda assim me aterrorizava a ideia de viver onde eu não tinha amigos.

E foi quase que de repente que eu sai para procurar um lugar para morar e encontrei com uma pessoa que seguiria até o fim da minha viagem comigo e aos poucos a gente foi se aproximando de outras pessoas e foi aí que eu encontrei o meu infinito particular, a minha pequena multidão de cinco pessoas, que fariam da minha jornada a mais especial e mais saudosa de toda a minha vida, são as pessoas que eu sei que vão eternizar todos os momentos que nós passamos juntos e por mais que não fosse muitos, eram tão gigantes e incríveis por dentro que me faziam esquecer que eu os enxergava maior do que eles eram, pois podiam recompensar cada parte de saudade que eu sentia da minha terra natal.

Todos os momentos vividos fora de casa se tornam mais intensos e diariamente eu me convencia que as pessoas que cruzaram o meu caminho em Malta não serão eternizados apenas em minha memória mas em toda a minha vida. Foi um imenso prazer para mim compartilhar aquela ilha com vocês e saber que não vou voltar como cheguei. Eu não vou voltar sozinha.

Eu dedico essa publicação a Isabella Casella, Alana Simões, Anna Luisa, Hector Puerto e Caio Almeida.

Com amor,

Gabriela Joaquim

 

Primeiramente, gostaria de me desculpar. Eu me confundi com as datas e acabei esquecendo que ontem era dia de post, mas hoje, para me redimir, vou publicar um texto diferente do habitual, uma dica do que poderá ser o seu próximo destino.

Há algumas semanas fui ao lugar muito lindo e que geralmente está fora dos roteiros turísticos, o Lago Maggiore, o segundo maior lago da Itália, porém com 20% situado na Suíça. As cidades ao seu redor são maravilhosas e conta com uma arquitetura única.

Eu fiz esse passeio por um dia e já foi possível me apaixonar. Nós chegamos por volta das oito da manhã na cidade de Ascona – Suíça, a influência da Italia é grande e o idioma predominante é o italiano, em toda costa do lago é possível ver diversos restaurantes com mesas para fora, muitas gaivotas, uma pequena aérea para quem quer se banhar e muitas casas de luxo, a cidade é impecável e vale a pena um passeio pelas suas ruas estreitas.

 

image   image

 

image

 

Seguindo a viagem, atravessamos a fronteira e fomos para Cannobio – Itália, e foi por essa cidade que eu me encantei, as ruas são de pedras e com contruções bem antigas e ao chegar de frente para o lago é possível ter uma dimensão melhor do lago e perceber o quão azul a água é e por um momento se deixar esquecer de tudo. A presença de restaurante com mesas ao sol também é comum, mas também encontramos lojas de artesanato local, um pequeno farol onde tinha alguns barcos ancoradoras e mais uma vez, inúmeras gaivotas.

Ao analisar os cartões postais da cidade, vimos que estávamos há dez minutos de um villagio com uma paisagem bem diferente e decidimos seguir até lá.

 

image   image

 

image   image

 

Nos atrapalhamos um pouco e demoramos mais do que o esperado para chegar ao local, mas ao chegar me deparei com uma paisagem que jamais havia visto algo parecido antes, chama-se Orrido di Sant’anna. Estacionamos o carro próximo a igreja e lá de cima pudemos enxergar uma cachoeira que estava escondida por de trás de todas aquelas pedras e que estávamos muito longe do chão, descemos para perto perto do rio e encontramos uma água muito clara e diversas pedras empilhadas pelo chão e foi delicioso passar uns minutos lá analisando aquelas pedras gigantes dando abertura para um rio lindo e com uma igreja no seu topo.

 

image      image

 

Ao deixar aquele lugar seguimos para Verbania – Itália, pois estava tendo um marché e decidimos parar para dar uma olhada, marchés são muito parecidos com as feirinhas que encontramos em Ubatuba, rs. Apesar de desfrutarmos de um longo momento em frente ao lago vendo o dia se pôr, a cidade em si não me encantou tanto quanto as outras e talvez seja por isso que eu não tenha fotos de lá para mostrar para vocês. E depois de tomarmos uma cervejinha voltamos para casa.

Espero que vocês tenham gostado e que vocês consigam enxergar além dos passeios turísticos que são oferecidos, pois existe um mundo escondido encantador e está de braços abertos para receber vocês.

 

Gabriela Joaquim.

 

 

Recentemente li uma lista que um francês escreveu com a sua percepção do Brasil e eu decidi fazer o inverso, mas de uma forma reduzida.

1. Aqui na França a pontualidade é rigorosamente seguida, não existe a possibilidade de um ônibus chegar um minuto atrasado, do que está indicado no ponto.

2. As refeições tradicionais não duram menos que uma hora, primeiro é servido o prato quente, depois a salada, por último os queijos e todos os pratos são acompanhados com pão.

3. Os franceses têm o hábito de valorizar o sol, não importa se está frio, se estiver com sol as atividades serão externas.

4. Na França você que abastece e lava o seu próprio carro, não tem ninguém para fazer isso por você nos postos de gasolina.

5. Se você for convidado para uma festa, deve chegar exatamente no horário marcado e não se assuste, todos os outros convidados vão chegar na mesma hora que você.

6. O espaço público é respeitado e é comum encontrar mesas de pic-nic proxima das estradas e em montanhas.

7. Na França existem milhares de trilhas sinalizadas nas montanhas e você sempre encontra com várias pessoas no caminho.

8. Os franceses são super cuidadosos na hora de se vestir, roupas esportivas só sao usadas para praticar esportes e o tênis que você usa para ir até a academia não é o mesmo que você usa para malhar.

9. A maioria das casas têm sistema de aquecedor e não de ar condicionado.

10. Você sempre recebe a moeda de 1 cent de troco.

11. Todas as flores dos canteiros, rotatórias e vasos são trocadas na mudança de estações.

12. A maneira de se escrever e falar são completamente diferentes.

13. Eles não são fedidos e tomam banho todos os dias, rs.

14. Toda cidade ou vilarejo tem pelo menos uma igreja e ela com uma torre bem alta.

15. A França não é só Paris e tem uma diversidade gigante.

 

Gabriela Joaquim

Ao tomar a decisão de estender meu intercâmbio milhares de expectativas se criaram em minha mente, me fazendo sonhar com inúmeras possibilidades do que viria a acontecer em um universo novo e completamente diferente, eu não iria mais chegar em cinco minutos na escola, nem morar sozinha e muito menos tomar o meu sol diário em frente ao mediterrâneo, mas essa semana ao estender uma toalha no terraço com uma cerveja, na esperança de tomar um bronzeado com um sol que surgia a cada quinze minutos, eu me senti a pessoa mais feliz do mundo, eu não estava rodeada de franceses tomando um cerveja em Strasbourg, eu estava sozinha e me conhecendo cada vez mais e melhor, cada pedacinho que agrada e desagrada em mim, cada experiência que vivi e que agora faz todo o sentido, cada lugar novo que conheci, cada pessoa que me relacionei, cada opinião que mudei, cada sonho que sonhei e pude perceber que sou capaz de transformar todo momento de tédio em momentos de paz e que o mundo muda o tempo todo e as minhas prioridades já não são mais as mesmas de meses atrás e que nenhuma das minhas expectativas se concretizaram ao chegar aqui, mas me levaram a viagem mais profunda que eu poderia embarcar, para dentro de mim.

 

Gabriela Joaquim

 

image

Escrever semanalmente no blog se tornou uma responsabilidade e tanto para mim e hoje estava me descabelando porque não sabia o que escrever, sem esperanças, comecei a rever minhas fotos e … hoje eu lhes apresento o cartão postal da França.

image              image

 

Paris é linda, a Torre Eiffel grandiosa, Champs-Élysées puro glamour, o Louvre imensamente cultural e  a EuroDisney um sonho. Após passar uns dias lá pude observar com meus próprios olhos e ter a minha percepção da tão famosa Cidade Luz, me encantar com os cadeados apaixonados na ponte do rio Sena, me escandalizar com o tamanho da Monalisa, admirar Paris vista de cima e me apaixonar pelo mundo encantado da Disney. A maneira que eu enxerguei Paris, com certeza, vai ser diferente de qualquer pessoa que for para lá, pois cada um valoriza pontos e situações diferentes e isso se deve ao estado de espírito, personalidade e gostos e é por esse motivos que ela agrada a todos.

Gabriela Joaquim